A Escola Santa Maria de Guaxenduba, no município de Icatu, foi palco nesta quarta-feira (11) de um marco histórico para as comunidades extrativistas costeiras e marinhas do Maranhão. A aula inaugural dos cursos de graduação em Tecnologia em Recursos Pesqueiros e Turismo, ofertados pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema) por meio do Núcleo de Tecnologias para Educação (Uema), marcou uma conquista dos pescadores, pescadoras e marisqueiras vinculados à Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CONFREM Brasil), que veem na educação um caminho de fortalecimento e protagonismo para suas comunidades.
A cerimônia de abertura reuniu autoridades e lideranças. Estiveram presentes o reitor da Uema, prof. Walter Canales, o prefeito de Icatu, Walace Azevedo Mendes, o coordenador-geral substituto da CONFREM Brasil, Beto da Prainha, a secretária executiva da CONFREM, Ana Paula Santos, a educadora socioambiental, Katia Barros, além de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Os dois novos cursos integram o projeto da Escola das Marés e das Águas e são fruto de uma parceria construída entre diversas instituições. A oferta pela Uema, por meio do Uemanet, garante aos extrativistas acesso a uma formação de nível superior contextualizada com a realidade de quem vive do mar e dos rios.
O reitor Walter Canales exaltou o poder transformador da educação e o compromisso da Uema com a comunidade. “A educação transforma e nós queremos transformar a vida de vocês para que possam evoluir por meio do conhecimento”, declarou. O reitor destacou ainda a dimensão estratégica dos cursos: “Os cursos vão possibilitar visibilizar a cidade e a comunidade por meio do turismo e do recurso pesqueiro”, reforçando a aposta na geração de renda e no desenvolvimento local.

A programação contou com palestras que aprofundaram o debate sobre os desafios enfrentados pelas comunidades pesqueiras. O coordenador da CONFREM, Alberto Cantanhede, conhecido como Beto do Taim, apresentou uma análise sobre as “alterações ambientais nos últimos 40 anos, os grandes projetos versus as produções familiares”, contrapondo o avanço de grandes empreendimentos na zona costeira à resiliência das cadeias produtivas de base familiar.

A professora doutora Sueli Furlan complementou o debate ao abordar a conservação de base comunitária, apresentando experiências que colocam as próprias comunidades como protagonistas na gestão e proteção dos seus territórios.

A cerimônia também reservou espaço para a expressão cultural da própria comunidade. A atração musical com Hamilton, Beto e Evandro, artistas da região de Guaxenduba, conferiu à ocasião um caráter festivo e enraizado no território, reafirmando que a educação proposta pelo projeto não se desvincula das identidades e tradições locais.

Por Fernanda Araújo
Fotos por Álex Nunes

